Arte Sacra - Igreja Vilarinho das Paranheiras

Datada de 1783, de acordo com inscrição gravada numa cantaria, esta igreja localiza-se a escassos quilómetros de Chaves. De estilo Neoclássico, ricamente ornamentada, integra um belo e elaborado altar-mor, e dois outros altares em cada uma das laterais. As talhas, policromias, marmoreados, douramentos e acabamentos apresentavam, na generalidade, fortes sinais de deterioração. A presente obra de restauro assentou na recuperação integral dos elementos mencionados, bem como na execução de novas pinturas a óleo (fundos dos nichos), marmoreados e também novas mísulas. O extenso e minucioso trabalho de que foi alvo repôs a romântica originalidade, que se reveste de um belo e convidativo aspeto visual.

Plano representativo do estado anterior e posterior do Altar-Mor.

Plano final da intervenção realizada nos cinco altares e retábulos.

Síntese dos cinco retábulos intervencionados.

Duas das quatro colunas que integram o retábulo-mor apresentavam danos significativos no efeito marmoreado (por ação direta da luz solar). Aplicou-se nova pintura marmoreada em todas elas. Os douramentos foram refeitos.

No nicho, foi substituída a pintura de fundo e os motivos que ilustram a concavidade superior, danificados pela contração da madeira e agravados pela continuada emissão de calor proveniente de iluminação artificial ali direcionada. Foi totalmente refeita a pintura a óleo, em tons mais expressivos, conferindo uma impressão visual mais atraente e adequada ao recato do local. Os douramentos foram refeitos.

Neste sacrário, o interior foi submetido a uma limpeza em profundidade, tal como os metais que decoram a porta.

O marmoreado que reveste a base do retábulo e do altar-mor encontrava-se em bom estado de conservação, tendo apenas sido reparadas algumas zonas circunscritas.

Este retábulo, de estilo Renascença, havia sido anteriormente pintado sobre o douramento original (idêntico ao retábulo simétrico do Senhor dos Aflitos). Dada a irreversibilidade dos danos originados por esta atuação, refez-se totalmente a pintura, embora com ligeiras alterações na policromia (os azuis patinados foram substituídos por uma dominante mais clara). Os douramentos foram inteiramente renovados.

Esta pintura a óleo sobre madeira, representativa de Nossa Senhora da Saúde, foi inteiramente restaurada. Foi limpa a superfície, corrigidos alguns pontos na figura e repintada toda a envolvência.

Neste motivo, inserido na mísula central, algumas cores já desvanecidas foram corrigidas e de novo aplicadas.

De todos os altares, o do “Sagrado Coração” era o que apresentava menor dano, tendo sido apenas intervencionados alguns elementos do retábulo e renovada a pintura da superfície exterior e do nicho. Na base, o marmoreado foi refeito, respeitando-se o enquadrado com o altar-mor. Os douramentos foram aplicados, de novo, em toda a extensão deste altar.

No nicho, foi igualmente executada uma pintura (à semelhança da realizada no altar-mor), com o propósito de enaltecer a imagem do Sagrado Coração de Jesus, que neste local se encontra representado.

Pormenor da intervenção realizada no coroamento do retábulo de Nossa Senhora de Fátima.

No nicho, foi igualmente executada uma pintura a óleo (à semelhança dos nichos anteriores), tendo, neste caso em particular, sido criados três novos motivos decorativos (pombas) que encimam e ladeiam a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Este retábulo, igualmente de estilo Renascença e mantendo a originalidade, revelava extensa deterioração na estrutura e douramentos. Foi alvo de uma profunda intervenção, dando-se ênfase à consolidação, aos douramentos e demais acabamentos.

Esta imagem em madeira, figurativa da mortalha do Santo Sudário e pintada a óleo, foi objecto de cuidada intervenção nos múltiplos pontos danificados.

 Este painel ricamente elaborado, emoldurando a pintura sobre tábua "A Ressurreição", apresentava acentuada dissipação de cor e alguns danos provocados por xilófagos e pela fixidez da iluminação. A extensa afetação da pintura foi corrigida e reposto um filete de madeira em falta, em conformidade com o contexto original. 

Em toda a extensão da talha dourada haviam danos e faltas pronunciados. Algumas secções foram totalmente reconstruídas e, no seu todo, foi por fim aplicado o douramento com folha de ouro, de acordo com o original.

Para informação mais detalhada: www.migueltomaz.pt/igreja_0.php

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